Diário de leitura (1)

maio 15, 2008

“… Anos de solidão haviam lhe ensinado  que os dias, na memória, tendem a ser iguais, mas que não há um só dia, nem sequer de prisão ou de hospital, que não traga surpresas. (…) Em dias distantes, menos distantes pelo transcurso do tempo que por dois ou três  fatos irrevogáveis, desejara muitas coisas, com amor sem escrúpulo; essa vontade poderosa, movida pelo ódio dos homens e pelo amor  de uma mulher, já não queria coisas particulares: queria apenas perdurar, não ter fim. (…) …procurava viver no puro presente, sem lembranças nem previsões; as primeiras tinham menos importância para ele que as últimas. Julgou intuir, obscuramente, que o passado é a substância de que é feito o tempo; por isso é que este se torna passado imediatamente.”  (“A Espera”,  Jorge Luis Borges)