O fim de tudo? Não exatamente
Maio 29, 2008
Na semana que vem chega às livrarias a tradução para o português do livro mais recente de Norman Lebrecht, “Maestros, Obras-Primas & Loucura: A Vida Secreta e a Morte Vergonhosa da Indústria da Música Clássica” (Record). O título, traduzido da edição americana, é equivocado – não é a indústria da música clássica que morreu mas, sim, segundo o autor, a indústria de gravações de clássicos. É certo que Lebrecht quer provar que não dá para pensar no mercado musical do século 20 sem concluir que a indústria dos discos foi fundamental em sua construção, alterando e moldando não apenas o repertório mas o tipo de interpretação que dele se espera. Seria possível, então, concluir que, com o fim dos CDs, acabaria o mercado também. Certo? A obra de Lebrecht está repleta de silogismos como esse, que levam a previsões catastróficas mas que, no final das contas, são mais exacerbações, com o objetivo de explorar inúmeras possibilidades de pensamento, que verdades ou previsões absolutas. Se a indústria acabou, a música gravada não parece estar chegando ao fim mas, sim, entrando em outro contexto, outra situação tecnológica. Enfim, logo vou voltar à obra no jornal e falo mais do assunto. Digo só que, colocada essa restrição, o livro é interessante, nos apresenta diversos personagens pouco conhecidos e obscuros do mundo das gravações, além de fornecer números curiosos e impressionantes. Por exemplo: sabe qual o disco mais vendido da história dos clássicos? Callas? Karajan? Três Tenores? Não, é o “Anel” de Georg Solti. Em breve, conversamos mais sobre o tema.
norman lebrecht dá uma boiada para não sair de uma polêmica criada por ele mesmo. concordo: o ‘fim’ da indústria não é o ‘fim’ das gravações, mas a migração das gravações para outro suporte tecnológico, o que implica novos processos econômicos na relação produtor-consumidor.
você sabe se alguma editora pensa em traduzir o livro de alex ross, The rest is noise? Porque o Classical Style, do Rosen, já cansamos de esperar.
joêzer, sei que há uma editora tentando negociar os direitos do livro do Ross mas, até agora, tem encontrado dificuldades para conseguir resposta. a gente fica na torcida, né não? abs